Investimento inteligente na segurança pública para 2019
Por Naval
Especialista em Segurança Pública Municipal sugere aos novos Gestores do segmento e aos políticos reeleitos e eleitos em todo Brasil no pleito 2018 atenção maior às Guardas Municipais.
Enfim, estamos em 2019, um ano que as perspectivas de melhoria na Segurança Pública prometem.

E nós, das Guardas Municipais de todo o Brasil, não muito diferente das demais instituições, também estamos aguardando o cumprimento e os avanços destas promessas que os governos vem declarando, bem antes do inicio do pleito eleitoral 2018, em específico, muito mais, em âmbito federal.

Entretanto, pouco tem se falado em atos práticos, pelo menos em alguns pronunciamentos das autoridades políticas não ouvimos nada de concreto, pouco se falou das polícias estaduais e federal, sobre a Polícia Municipal, conhecidas como Guardas Municipais, quase, absolutamente nada.

Algo interessante, se apresentou neste pleito, nunca se falou tanto em Segurança Pública, falaram muito de projetos e mais projetos, poucos apresentados no papel. Projetos avançados, futuristas e até ultrapassados, mas para um país que tem enfrentado uma violência sem precedentes, já é um bom início para o governo Bolsonaro.
Com exceção ao Rio de Janeiro, o então governador eleito em 2018, foi o único que renovou o discurso e apresentou algo concreto, que é o seu apoio ao armamento da Guarda Municipal da capital. De forma inteligente, têm, por diversas vezes declarado sua forma de pensar e seu apoio, estendendo, esta sua vontade à todas as Guardas Municipais do estado.

Em Minas Gerais, nada se falou de novo, o que temos é uma Guarda Municipal ainda muito tímida, na capital, onde, aparelharam apenas alguns agentes, e que, mesmo assim, as estatísticas de queda na violência, baixaram sistematicamente.
No Paraná, a capital perdeu o que outrora era uma das melhores Guardas Municipais do país.
Já em Porto Velho, no estado de Rondônia, por sinal muito violento, vergonhosamente, mesmo com o clamor da sociedade local, por segurança pública, até o momento não criou sua Guarda Municipal, destaco aqui, a importância da cidade de Ariquemes ter sua Guarda Municipal que segue rumo a lei 13022/14, onde se enquadrará como a Policia Municipal.
Em Roraima, se não fosse a Guarda Municipal de Boa Vista, o caos instalado no estado estaria mil vezes pior. E no Rio Grande do Sul, outra situação clamorosa, que agora esperamos melhorias na capital, de forma urgente, onde tiveram a péssima ideia de dividir a Guarda Municipal, atrapalhando assim, seu desenvolvimento e enquadramento no atual regulamento das Guardas Municipais.

No Rio Grande do Norte, devido as intromissões ultrapassadas de um sindicato local, sem condições e competência para apresentar novos e relevantes projetos, a Guarda Municipal da capital segue às duras penas, sacrificando seus agentes.
Goiás e Tocantins, aos poucos vem retomando e de fato apresentando um crescimento leve, graças aos esforços dos agentes que tem sido criativos, vem driblando a economia e alterando o conceito que nada se pode fazer para melhorar as condições das instituições. No estado de São Paulo, as Guardas Municipais, que já são parte do contexto geral de segurança pública, já constando em mais de 50% dos municípios. Na capital, necessita urgentemente de um efetivo maior, aumento salarial substancial, onde um sindicato adormecido, não prioriza a vontade da categoria. Ainda para atrasar um pouco mais o governo indica para ter um coronel cargo na Secretaria de Segurança um político que é totalmente contra a Polícia Municipal.




Nos estados de Alagoas, Pernambuco e no Ceará, o pico de crescimento só aconteceu com as Marchas Azul Marinho, nas capitais destes estados, tudo parado ou crescendo muito lentamente, ainda, lamentavelmente, não tem seus efetivos completamente armados, expondo a vida dos agentes de forma covarde perante ao crime organizado, onde não haveria necessidade de envio de tropas da Força Nacional. Se estas capitais, com Guardas Municipais armadas o índice de criminalidade já teria diminuído há anos.
Amazonas, Santa Catarina, Espírito Santo e Maranhão precisam continuar realizando eventos para mudar o conceito que a sociedade e a mídia tem sobre Guardas Municipais, aliás, sugestão que todos os estados deveriam acatar para o desenvolvimento geral do seguimento. Precisamos mostrar para o povo o que é a Polícia Municipal e depois o povo ter condições de decidir se querem ou não estas instituições trabalhando de forma consolidada na Segurança Pública Municipal.

Estados como Acre, Piauí, Amapá, são muito atrasados em relação aos conhecimentos das Guardas Municipais e serão os estados que mais vão necessitar destes serviços, por terem deficiência enorme na segurança em geral.
O estado da Bahia parou no tempo, a Guarda Municipal de Salvador necessita urgentemente de armar o restante de seus efetivos e atualizar-se informaticamente, avançando assim na segurança de inteligência e tecnologia.
E já que estamos falando de tecnologia e inteligência na segurança pública, vamos falar um pouco sobre o CompStat;
CompStat quer dizer, Compare Estatísticas, desenvolvido na década de 1990, por integrantes da Polícia de Nova York, tem como bases fundamentais, 3 pilares;
Indicadores, Reuniões Semanais e Prestações de Contas.
O CompStat faz parte de um método, ou melhor dizendo, o órgão vital, principal, deste método, do trabalho estratégico, desenvolvido por Rudolph Giuliani, no conhecido trabalho da teoria da Janela Quebrada, Tolerância Zero, na cidade de Nova York, onde até hoje, a violência está sob controle.

Além deste dispositivo, podemos citar que novas experiências bem sucedidas estão sendo realizadas por novos gestores, como o Aplicativo SP+Segura, que utiliza o CompStat, projeto desenvolvido pela Secretaria de Segurança Urbana de São Paulo, que tem como responsável o Sr. José Roberto Rodrigues, juntamente com o Comandante Carlos Alexandre Braga da Guarda Civil Metropolitana de São Paulo. Existe também o Detecta, implantado recentemente na PM de São Paulo e o Sistema Alerta Brasil, implantado na PRF. Estas ferramentas, que no futuro muito próximo serão preditivos, poderão auxiliar os Agentes de Segurança Pública de todo o país numa totalidade de quase adivinhação, dadas as circunstâncias que a inteligência tecnológica está trazendo no novo conceito de se fazer Polícia.
Para finalizar fica aqui a nossa sugestão às autoridades políticas do Brasil, em especial aos governos responsáveis diretamente pela segurança do povo brasileiro:
Vamos investir nas Polícias Locais, fazendo uso destas ferramentas, onde os gastos serão menores e sobrarão recursos para valorizar os Agentes de Segurança Pública por um Brasil melhor às nossas famílias.


Mauricio Domingues da Silva (Naval)
Presidente da ONG SOS Segurança Dá Vida
Diretor do Conselho Nacional das Guardas Municipais
Inspetor da Guarda Civil Metropolitana de São Paulo
Especialista em Segurança Pública
Autor do Livro Guardas Municipais a Revolução da Segurança Pública e outras obras.


Fontes e Referências:

1 - https://sindepol.com.br/site/artigos/tolerancia-zero-e-o-compstat.html

2http://www.bibliotecadigital.ufmg.br/dspace/bitstream/handle/1843/BUBD-ANYMN4 tese_lauro___vers_o_final__ceppead.pdf?sequence=1

3 - http://alertsystem.com.br/blog/3-casos-em-que-a-inteligencia-artificial-e-o-machine-learning-estao-contribuindo-na-seguranca/

4 - https://en.wikipedia.org/wiki/CompStat

5 - https://www.prf.gov.br/portal/estados/ceara/noticias/prf-e-homenageada-em-solenidade-que-marca-a-utilizacao-do-sistema-alerta-brasil-pelo-governo-do-estado-do-ceara

6 - https://www.metrojornal.com.br/foco/2018/03/23/prefeitura-de-sao-paulo-lanca-aplicativo-spsegura.html

7 - https://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/seguranca_urbana/noticias/?p=255202


Powered by OrdaSoft!